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31 março, 2018

RESENHA | POR TRÁS DO VÉU

Titulo: Por Trás do Véu
Autor: Esmie G. Branner
Editora: Casa Publicadora Brasileira
Páginas:136
Classificação: 3/5


Sinopse: 
"Era uma manhã ensolarada de sábado...o dia em que estava certa de que morreria." Esmie Branner inicia assim o relato de lutas, oposição e abusos físico e mental causados por seu ex-marido muçulmano. Esmie colheu as consequências de escolhas erradas.
Porém, arrependida, aproximou-se de Deus e venceu grandes desafios.

 Primeiramente, devo confessar que uma das coisas que fez com que eu me apaixonasse pelo mundo literário foi a oportunidade de figurativamente poder experimentar experiências que não são minhas e viver em um mundo que não é o meu. A obra de Esmie G. Branner, por ser autobiográfica e narrada em primeira pessoa, me permitiu isso, no entanto, por outro lado, infelizmente me desapontou em diversos pontos da narrativa.

Sofrimento, provação, arrependimento e mistério, são só algumas das coisas que a história de Esmie traz consigo e compartilha conosco com uma carga de reflexão de quem colheu horríveis consequências por ter plantado más escolhas. Em certas alturas da leitura, me vi questionando as minhas próprias escolhas e tentando aprender verdadeiramente com os erros da autora. Já em outras, me vi curiosa para descobrir mais sobre coisas que recorrentemente ficaram vagas e sem respostas.

A narrativa começa em um ponto alto da vida de Esmie, o seu rebatismo. Entretanto, o dia da sua guinada espiritual vem acompanhado de temores em relação à própria vida e é aí que passamos a conhecer a relação matrimonial em que a protagonista está inserida. Mulçumano, Mohamed é um marido e pai extremamente controlador, ameaçador e abusivo, o qual usa todos os artifícios que se encontram ao seu alcance para converter esposa e filhos ao Islamismo. Assim sendo, quando Esmie decide retornar a Igreja em que frequentava quando criança, um longo e difícil conflito nasce em seu lar.

O inspirador é que mesmo a autora se encontrando entre um grande conflito, ela se apresenta como uma mulher de fé que prefere viver um inferno no lar a abrir mão de sentir-se no céu por meio da comunhão com Cristo. E foi com muita fé e confiança em Deus que Esmie prosseguiu sua vida como uma cristã esposa de um mulçumano e mãe de cinco filhos.
“Olhando para trás, pergunto-me como Deus poderia ter abençoado o que havia proibido. Deus disse que não deveríamos nos pôr em jugo desigual com incrédulos (...) *** fora do casamento é fornicação. Tentar corrigir esse pecado casando com um incrédulo só faz as coisas piorarem. Exatamente o que aconteceu no meu caso.”
Nessa época difícil da vida o seu esposo lhe fez uma proposta que a dividiu e a encheu de dúvidas: mudar-se com os filhos para Arábia Saudita – país declaradamente islâmico. Porém, mesmo receosa, motivada pela continuidade de sua unidade familiar e crente de que Deus tinha propósitos divinos para ela, Esmie viaja para a Arábia Saudita. Ao chegar lá, dia após dia a autora se vê em uma realidade cruel que nem de longe ela poderia ter-se imaginado vivendo. Longe dos familiares, isolada da sociedade, desprovida de dinheiro, desprezada pelo marido, pressionada para se converter ao Islamismo e, por fim distante dos filhos; em tudo isso vemos uma vida provada ao limite.


Mas foi quando a autora se viu privada da companhia dos filhos que ela experimentou os mais amargos sentimentos. Entretanto, foi também nesses difíceis momentos que ela passou por um amadurecimento em sua fé, se maravilhou com intervenções divinas e aprendeu com os próprios erros.
“Havia muitos traços de caráter pecaminosos na minha vida mascarados pelo meu senso de justiça própria. As circunstâncias trouxeram esses pecados à tona e me surpreendi quando soube quão longe tinha ido (...) Foi uma experiência de humildade quando percebi que não era nem um pouco melhor do que Mohamed.”
“Orei por uma dose extra de força e coragem. Tinha lido em algum lugar que cada provação prepara você para a próxima, que é sempre maior que a anterior.”
“Deus testou a minha paciência e mostrou-me que o amor era única arma que me daria a vitória.”

Para mim, sem dúvida, os pontos altos do livro encontram-se nos pensamentos que Esmie divide com o leitor e nas intervenções divinas. Dessa forma, pela vida de outrem maravilhamo-nos com os cuidados de um Criador que não poupa esforços para intervir e abençoar suas criaturas, mesmo quando estas erram e caem em pecados, mesmo quando tudo parece impossibilitar um final feliz.

Portanto, embora sob o meu ponto de vista o livro tenha deixado muito a desejar, ainda assim o recomendo, pois por meio de uma rápida leitura é nos dado a oportunidade de conhecer uma história de fé. Sendo assim, fica a dica para quem deseja uma leitura leve de um relato pessoal que comove, acrescenta e que de bônus apresenta uma cultura diferente.

NOTA: Esta resenha foi previamente postada no blog Oásis Literário, da jovem Beatriz.

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